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Um é o outro

Um ao lado do outro

como azulejos massados na parede

Um sente o outro

como pilhas de objetos idênticos

Um é o outro

o outro é um.

Sinto o ar
sinto a tristeza

Sinto a fome
sinto a tristeza

Sinto a dor
sinto a tristeza

Sinto o ódio
sinto a tristeza
Mas, de tudo isso,
o que mais sinto
é o amor.

Quem cresce

Seu pai saiu
sua mãe dormiu
seu cachorro morreu
sua vida parou
seu ar acabou
agora o fim prevalesce
e o vazio é quem cresce.

Desconexo

Desregrado

desregulado

desconexo

desconfigurado

desdenhado

desestimulado

desinteressado

sem rumo

sem fundo

sem mundo

Viver a vida

comer a vida

sentir a vida

Uma casa

um muro

uma cama

Um teto

Chega

Por hoje chega
de cansaço
chateação
desgosto
embromação

Pra mim é só
samba
roda de bamba
amor supremo

Só não chega
de carinho
risinho
de meu benzinho

Vem
que pra você
nunca tem
um chega

com palavras
faço linhas
com ar
faço pulsação
com dor
às vezes faço o amor
com perdão
removo o que doeu

Renovar
reviver
reaprender

Movo
mexo
levo
entrego
machuco
dói
e sempre,
sempre é o amor

Não gosto do gosto
da tristeza
não a amo
não sinto prazer com ela
não sou feliz ao seu lado

Por meu amor se acaba
mas se amor pela tristeza eu não tenho
que desamor é esse que me ocorre?

O ocorrido através da tristeza
que é quem me tira a felicidade
Que é quem eu amo

Só amo quando o sol brilha
só amo quando o sorriso se revela
só amo quando o amor surge
e com tristeza nada disso se faz presente em mim
ou mesmo pra mim

Não, tristeza,
eu não a amo.

O caminho

com vários arranhos
segue-se um caminho
de espinhos

com vários tropeços
segue-se um caminho
de pedras

com boa conversa
segue-se um caminho
de compreensão

com vários carinhos
segue-se um caminho
de amor

Emoção

Há exatas três semanas passei por uma emoção que eu nunca tinha passado nem sentido. Me lembrei disso hoje, pois, a mais ou menos 1,5km de onde estou está tendo o show do Jorge & Mateus.

Não, eu não gosto de sertanejo.

Não, não me emocionei com a letra da música.

Sim, eu detesto sertanejo.

O que aconteceu foi que eu conheci uma menininha – Uma linda menininha – e ela cantou uma música dessa dupla. Apenas cantarolou, mas aquilo mexeu comigo. Mexeu por causa da meiguice dessa menina, da forma com que ela encara a vida. Me senti mal. Senti o mundo injusto e senti que aquele que chamam de deus é outro cara bastante injusto.

Essa menina tem uma doença degenerativa e ela anda em uma cadeira de rodas. Ela tem uns 6 anos e nasceu bem, só que com o passar do nosso precioso tempo ela vai perdendo os movimentos etc. Não sei o nome da doença e, pra falar a verdade, nem me lembro o nome da menina. Só sei que chorei, escondi o rosto e fui zoado por causa disso. Enfim, cada um expressa suas emoções de uma forma. A minha é, muitas vezes, dessa forma.

E, nesse dia, a menina da qual falo estava bebendo um suco de caixinha. Aqueles pequenos que são destinados à crianças. Sei que peguei essa caixinha e guardei. Assim como guardei o palitinho do pirulito que ela me deu.

Garanto que não esquecerei dessa menina. Posso não me lembrar do nome – o que é fácil de recordar. É só perguntar para uma prima da minha namorada -, mas nunca me esquecerei dessa doce garotinha.

O que queres?

Se minhas palavras não te emocionam
se meu olhar não te estremece
se meu sussurro não te enlouquece
se meu toque não te arrepia
O que queres de mim se não o receio da minha presença?

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